Tuesday, 5 January 2010

Aquele que ainda não encara a celebração e a liberdade como valor mais alto para a sua vida, é ainda um tipo de humano bastante básico. Os jogos com que este se confronta são sempre demasiado rentes à terra e acabam sempre com um choque brutal, a alta velocidade, contra um obstáculo a que o próprio homem deu o nome de “Orgulho”.

Friday, 25 December 2009

Cada um usa a sua técnica e um deus usa a técnica de todos. O truque é ser-se feliz!

Saturday, 19 December 2009

É quando a minha felicidade desliza toda pela minha percepção sem tomar atenção que sinto que são os rochedos que me fazem sentir acordado - os rochedos do meu riacho interior...e é quando olho para o teu céu e o sinto a descer para cima de mim que o meu arco-íris aparece em mim e me faz renascer...o teu céu é o meu melhor amigo...é ele que me ensina de novo, a cada momento, que sonhar é amar e que amar é querer viver...

Tuesday, 1 December 2009

Palpitando

Sentindo o palpitar fluorescente do meu coração,
Levantei-me, meti o guião em cima do sofá
E, usando a minha imaginação desprendida,
Deslizei até à cidade mais próxima;
Com raios de luz e bolas de luz cor-de-rosa suaves
Comecei a fazer movimentos lentos com a cabeça
Até que me surge uma avenida repleta de movimentação
E dou por mim a observar tudo aquilo, com grande admiração -
Sem tempo para pensar, ao olhar para o lado, vejo um comboio
Infinito a recuar - recuando para sul.
"Tempo de voltar, Tempo de voltar!!" - ouve-se alguém nesta ruas a apregoar.
"Tempo de voltar! Tempo de voltar!!", com insistência tal que me faz descansar.
Os passeios estendem-se ao comprido e são espezinhados
Pelos inocentes humanos - alunos da vida, trabalhadores. -
Caminham cortadamente pela noite para chegar a suas casas,
Onde apagam as labaredas da fricção do seu dia com palavras meigas e mansas dores.
Onde o tempo não tem razão nenhuma...
Onde o único alívio é o rugido do mar interior,
O seu recorte, a clássica espuma. O tempo não tem razão aqui.
Derrepente reparo como a noite aperta tudo nas suas pomposas dimensões
E vejo um gato negro atravessar um jardim escasso;
Sobe-me um arrepio molhado à espinha dorsal,
Que percorrendo as paredes baças de cada vértebra devagar
Acaba por não me fazer mal nenhum.
Arrepio que puxando a minha dor para um ponto só,
Entranha-se naquilo que eu estou a observar
Como o som de cornetas num desfile de carnaval.
É-nos dada a canela depois de,
Empoleirada na perna da mesa,
A divina criança ter roubado o açúcar e o sal.

Wednesday, 25 November 2009

Há que se ser paciente com nós mesmos!...
Às vezes parece que a corrente da nossa mente
Vai furiosamente, sem parar, desaguar na foz da confusão,
Por muito que nós a tentemos travar e dizer para nós mesmos que "não"...e acho que isso só vai dar mais força ao pensamento negativo quando ele voltar, por isso acho que a melhor maneira é pensarmos na maneira mais directa de resolver o primeiro problema que nos vem à cabeça e não descansar enquanto não o resolvemos...depois disso a cabeça vai pesar bem menos - uma lufada de ar fresco.
Se o problema estiver relacionado com alguém em esecial é falar! Somos todos pessoas...cada uma com os seus sonhos, as suas obrigações, os seus esforços, as suas distracções mas ao fim ao cabo somos todos muito parecidos...e não há nada que uma conversa sincera não resolva.
Deixo aqui um pensamento de um escritor que eu gosto muito:
"...,se tivéssemos alguém a prender-nos os braços e a tapar-nos a bouca, a nossa vontade de liberdade seria multiplicada pela intensidade da nossa dor. Com o corpo liberto, muitas vezes começamos a montar uma cerca à nossa volta e acabamos a falar sozinhos, sem nos ocorrer que podemos ter vizinhos que também estão sozinhos, algures no descampado desta vida." - Mark Barwell
Com raios de luz translúcida, chuvinha prateada
E eu no conforto do lar, observo um grupo vasto de pessoas,
Lá em baixo na baía, suavemente a dançar;
Ao observá-las pela janela,
Sinto uma certa nostalgia no ar.
Começam a surgir lembranças embaciadas
Nas janelas da minha memória;
Uma roda gigante cheia de pessoas
Em que cada uma delas conta uma parte
Da minha história.
Encosto-me para trás,
Na cadeira onde estou sentado.
Podia ir despachar as coisas mas
Não estou preocupado;
Fecho os olhos lentamente e
Usando a respiração como toalhete
Limpo-me com cuidado.
Sem obsessões - Levemente focado.

Abrindo os olhos,
Olho à minha volta e
Tudo ali parece mais presente...
E ao notar que, entretanto,
Alguém tinha entrado
A minha cabeça move-se livremente
Em direcção à pessoa antes que os olhos
Pensem sequer em olhar de lado.

E quando as janelas embaciarem de novo,
Vou desembaciá-las com a manga da camisola - de novo...
Ou até mesmo escrever um poema com o dedo.
Adoro fazer isto!

Tuesday, 24 November 2009

O Desenrolar do Cordel

...De esguelha, começo a petiscar uns pistachos enquanto, através da janela vejo uma mulher farta, anafada a empurrar a filhinha para a estrada. Dificilmente teria aquilo acontecido se os carros estivessem a passar. Cá dentro desligo a televisão e vou até ao quarto do lado, ver o que eles andam a fazer. Estava a ouvir vozes mas acabei por não encontrar ninguém. O telefone começa a tocar derrepente dando-me um aperto no coração. Desço as escadas num ápice, chego o pé do telefone e dou-lhe um safanão...

O fim nunca chegará. - pode chegar sim, o fim do ser humano como nós o conhecemos hoje...mas nada se perde, tudo se transforma - os átomos que o constituem vão andar por aí para sempre tal como a energia que dele emana. O fim não vai chegar: está pois na altura certa de nos aconchegar-mos. Nada há a perder.